sábado, 13 de abril de 2013

O Sistema de Coordenadas UTM

O UTM (Universal Transversa de Mercator) é um tipo de projeção e de sistema de coordenadas no plano. É utilizado na cartografia, um importante campo de aplicação da geodésia, para dar a localização de um ponto na superfície terrestre. O UTM é baseado no modelo elipsoidal da Terra e é um dos mais utilizados no mundo.

A geodésia é a ciência que estuda a forma, a dimensão da Terra, o campo gravitacional, o espaço-tempo tridimensional e os fenômenos geodinâmicos como rotação da Terra, marés e movimentos da crosta terrestre.

A forma da Terra foi representada inicialmente por uma esfera, Pitágoras e Aristóteles foram os primeiros que expressaram esta ideia. No século 17, Newton demonstrou que o conceito de uma Terra esférica era inadequado e representou a Terra como um elipsoide de revolução, onde o eixo equatorial era maior do que o eixo polar e assim a Terra era achatada nos polos. No século 19, Laplace, Gauss e outros afirmaram que o modelo elipsoidal não era convincente e então surgiu a forma de geoide para a superfície terrestre. O geoide é uma superfície equipotencial do campo de gravidade da Terra que coincide com o nível médio dos mares. O geoide se estende através dos continentes em uma forma ondulada, se aproximando da topografia terrestre.


Os modelos de representação da Terra, com a topografia, elipsoide e geoide.

Apesar do geoide ser o modelo mais próximo do verdadeiro formado da Terra, em geodésia utiliza-se um elipsoide de referência para representar matematicamente a superfície terrestre. O modelo matemático da Terra é denominado "datum". O elipsoide de referência torna bem mais simples a execução dos cálculos e definição das coordenadas e elevação. Atualmente, um dos elipsoides de referência, ou datum, mais usados é o WGS84, servindo como base ao Sistema de Posicionamento Global (GPS).

A Cartografia é o conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas utilizados na elaboração de mapas, cartas e outras formas de representação de objetos. O mapa é a representação no plano, em pequena escala, dos aspectos geográficos de uma área na superfície de um objeto planetário. Diferentemente, a carta é a representação em média ou grande escala, para possibilitar a avaliação dos detalhes.

Para elaborar um mapa é necessário determinar um método no qual cada ponto na superfície terrestre corresponda a um ponto no plano e vice-versa. Existem diversos métodos e estes métodos são chamados sistemas de projeções. Um sistema de projeção adota um modelo matemático do planeta e relaciona os pontos estabelecendo uma escala e um sistema de coordenadas.


Projeção cilíndrica transversa, o eixo do cilindro está perpendicular ao eixo da Terra.

As projeções cartográficas são classificadas de diversas formas. Quanto a superfície de projeção temos a cilíndrica, que é utilizada no sistema UTM na posição transversal, em relação à superfície de referência. Na posição transversal, o eixo do cilindro está perpendicular ao eixo da Terra.

Quanto ao tipo de contato entre as superfícies de projeção e referência, o sistema UTM adota a secante, onde a superfície de projeção secciona a superfície de referência. Isto vem da atribuição do fator de escala k = 0,9996 ao meridiano central do sistema UTM, que garante um modelo mais favorável de deformação em escala ao longo do fuso. Limitando o erro de escala em 1/2500 no meridiano central e 1/1030 nos extremos do fuso.


Fuso ou Zona UTM, com 6° de extensão longitudinal e seu meridiano central.

No sistema UTM a Terra é dividida em 60 fusos, ou zonas, com 6° de extensão de longitude e os fusos são numerados de 1 a 60, crescente no sentido leste a partir do fuso 180°, a 174° oeste de Greenwich. Isto é, o fuso 1 vai de 180°O até 174°O, o fuso 2 vai de 174°O até 168°O e assim sucessivamente. Cada fuso é prolongado em 30' sobre os fusos adjacentes, criando uma área de sobreposição de 1°.

O sistema UTM é utilizado somente entre as latitudes 84° ao norte e 80° ao sul. Cada fuso é segmentado em 20 faixas com 8° de extensão de latitude. São dez faixas no hemisfério norte e dez faixas no hemisfério sul. Embora não ser essencialmente adotado no UTM e sim no MGRS, uma derivação militar do UTM, as faixas são designadas por letras de C, a partir de 80°S, até X, que termina em 84°N. As letras I e O não são usadas por causa da similaridade com os números 1 e 0. A letra N é a primeira faixa do hemisfério norte, adotada por causa do "n" de norte.


O mapa UTM, com a identificação dos fusos, faixas e graus.

Os quadriculados das zonas são uniformes em todo o globo, com exceção em duas áreas. O quadriculado 32V está estendido para alcançar toda a Noruega e assim o quadriculado 31V está recuado. Os quadriculados 31X, 33X, 35X e 37X estão estendidos para cobrir a região da Esvalbarda, também pertencente à Noruega, assim os quadriculados 32X, 34X e 36X não são usados.

O ponto de origem de cada fuso é a intersecção do Equador com o meridiano central do fuso. Para evitar números negativos, é adotado o valor de 500.000 metros para o meridiano central do fuso, na linha ao longo do Equador. Os fusos possuem um alcance longitudinal de 167.000 a 833.000 metros, na altura do Equador, reduzindo em direção aos polos. Justificando os números, a Terra possui aproximadamente 40.000.000 metros de circunferência, então os fusos tem 666.666 metros de extensão longitudinal.

No hemisfério norte as posições são medidas para o norte partindo do zero ao Equador até 9.300.000 metros na latitude 84°N, na linha ao longo do meridiano central. No hemisfério sul as posições são medidas para o sul partindo do 10.000.000 metros ao Equador até 1.100.000 metros na latitude 80°S, na linha ao longo do meridiano central. Assim, nenhum ponto recebe um valor negativo.

A posição na Terra é dada pelo número do fuso (zona), as coordenadas Este (Easting) e Norte (Northing) explicitamente nesta ordem, e o hemisfério. A coordenada Este também pode ser descrita por X e a coordenada Norte por Y. Abaixo um exemplo de coordenada UTM:

X 271960,000 (Easting)
Y 7382350,200 (Northing)
Fuso 23 (Zone)
Hemisfério Sul
Elipsoide WGS84 (datum)

A coordenada acima, dada como exemplo, indica que o ponto está no fuso 23, no Hemisfério Sul, a 228.040 metros a oeste do meridiano central do fuso (500.000 - 271.960) e a 2.617.649,8 metros ao sul do Equador (10.000.000 - 7.382.350,2). O datum será útil no cálculo de conversão entre sistemas de coordenadas.

O sistema de coordenadas UTM é o sistema mais usado em projeções planas do globo terrestre. As coordenadas geográficas, em graus de latitude e longitude, são usadas na superfície esférica do globo. É possível realizar a conversão entre os sistemas, será visto em um próximo artigo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Detalhamento do uso no Android

Sem necessitar de aplicativos de terceiros, apenas com as ferramentas nativas, o sistema Android possui algumas telas que mostram detalhes do uso do sistema. São detalhes do uso de dados de rede, do espaço ocupado no armazenamento dos aplicativos e demais arquivos, do uso da bateria pelos aplicativos e do uso da (memória) RAM pelos aplicativos. O acesso à estas telas é pelo ícone Configurações.

Rede:

A tela "Uso de dados" detalha a quantidade de dados transferidos por upload ou download durante um determinado período. Chega-se nesta tela pelo ícone "Configurações" e depois em "Uso de dados". Existem duas guias, uma com as estatísticas dos dados trafegados pelo serviço da operadora de telefonia móvel e outra guia com as estatísticas dos dados trafegados por Wi-Fi. Além do gráfico do volume total de dados, é exibido o consumo por aplicativo, e clicando em um aplicativo, é exibido o consumo do respectivo aplicativo durante as execuções de primeiro plano e segundo plano.



Armazenamento:

A tela "Armazenamento" detalha, além do espaço total e do espaço disponível, o espaço ocupado pelos aplicativos, pelas imagens e vídeos, pelas músicas, pelos arquivos provenientes de download, pelos dados em cache e pelos arquivos diversos. Chega-se nesta tela pelo ícone "Configurações" e depois em "Armazenamento". Tocando em cada uma das categorias, é exibido o conteúdo da respectiva categoria. Para imagens é exibida a galeria, para downloads são exibidos os arquivos etc.



Bateria:

A tela "Bateria" detalha o uso da energia pelo sistema e aplicativos. Chega-se nesta tela pelo ícone "Configurações" e depois em "Bateria". A primeira informação é a quantidade de carga ainda disponível na bateria, em porcentagem. Em seguida, tem um gráfico evolutivo do nível da bateria, com início na última vez que o aparelho foi carregado com energia externa, e o tempo que o aparelho vem funcionando sob a energia da bateria. Abaixo, uma listagem dos aplicativos que consumiram a energia da bateria neste tempo, desde a última recarga. Tocando no gráfico abre-se uma tela com maiores detalhes do histórico e a influência do hardware no consumo, como GPS, Wi-Fi etc. Tocando em um aplicativo abre-se uma tela com maiores detalhes do respectivo aplicativo e, se aplicável, botões para ajuste do uso da energia.



Aplicativos:

A tela "Aplicativos", na guia rodando, detalha todos os aplicativos, processos e serviços que estão sendo executados no momento, com sua respectiva quantidade de memória que estão usando e a quanto tempo. Chega-se nesta tela pelo ícone "Configurações" e depois em "Aplicativos". Na parte superior desta guia há um botão para alternar entre mostrar os processos em cache ou mostrar os serviços em execução. Na parte inferior há um gráfico que mostra o total de RAM usada e a quantidade livre.



Neste artigo foi usado o Android na versão 4.2.1 para descrever estas telas de detalhamento do uso. Em outras versões as telas poderão ser diferentes ou até inexistentes (em versões muito antigas). Nestes casos poderão ser úteis os aplicativos de terceiros para este fim.

domingo, 31 de março de 2013

Problema de Lógica: A balança com defeito

Francisco e sua irmã Ana estão com seu cachorro Simba na farmácia de seu tio. Na farmácia há uma balança com defeito que só mostra corretamente os pesos superiores a 50 kg. Para evitar o defeito, pesaram-se juntos dois a dois e obtiveram os seguintes pesos:

Francisco e Simba pesam juntos 88 kg;
Francisco e Ana pesam juntos 114 kg;
Ana e Simba pesam juntos 60 kg.

Qual é o peso de Francisco, de Ana e do cachorro Simba?





RESPOSTA





De acordo com o enunciado, os valores obtidos nas pesagens de Francisco (x), Ana (y) e Simba (z), dois a dois, foram:

A) x + z = 88
B) x + y = 114
C) y + z = 60

Fazendo A - B, teremos:

D) (x + y) - (x + z) = 114 - 88
D) x + y - x - z = 26
D) y - z = 26

Fazendo C - D, teremos:

E) (y + z) - (y - z) = 60 - 26
E) y + z - y + z = 34
E) z = 17

Fazendo A - E, teremos:

(x + z) - z = 88 - 17
x = 71

Fazendo C - E, teremos:

(y + z) - z = 60 - 17
y = 43

Portanto, Francisco pesa 71 kg, Ana pesa 43 kg e Simba pesa 17 kg.

domingo, 3 de março de 2013

Ajustar níveis de cor no tratamento de texto digitalizado

Um texto impresso em papel e digitalizado para um arquivo de imagem pode conter diversas interferências, que comprometam a qualidade da cópia digital. Desconsiderando o desempenho do dispositivo de digitalização (scanner), o próprio impresso pode dificultar uma boa digitalização. A cor do papel, o tipo do papel, a qualidade da impressão e até a gramatura que, quando pequena deixa o papel um pouco transparente e assim a impressão do verso torna-se levemente visível na frente. Tudo isso influencia no resultado final.

Quase sempre é preciso fazer alguma correção na imagem do texto digitalizado. Felizmente temos os softwares de tratamento de imagens, que não são somente para fotografias pois são capazes também de tratar desenhos e textos digitalizados.

Este artigo mostra uma ferramenta de cor, a ferramenta de níveis de cor, que realiza um tratamento muito bom para este tipo de imagem digitalizada. O software utilizado na demonstração desta ferramenta é o GIMP (www.gimp.org), um software gratuito com muitos recursos e disponível para Linux e Windows.

O texto é basicamente uma imagem de duas cores, a cor do fundo, que é a cor do papel, e a cor do texto, que é a cor da tinta da impressão. Apenas ajustando os níveis podemos modificar os pixels para que eles se concentrem no preto e no branco. Poderíamos converter a imagem para a paleta preto e branco de 1 bit mas nisso perderia-se a suavidade dos caracteres, ou usar a ferramenta de contraste mas esta não permite um controle preciso no nível da cor preta e da cor branca.

A ferramenta de níveis de cor proporciona uma funcionalidade semelhante a ferramenta de histograma, entretanto, pode alterar o alcance da intensidade, tornar a imagem mais clara ou mais escura, alterar o contraste e corrigir a cor predominante. No GIMP, a ferramenta de ajuste de níveis de cor está acessível pelo menu "Cores/Níveis..." (Colors/Levels).

Vamos iniciar o nosso exemplo com esta imagem de um texto digitalizado. Veja que a cor dos caracteres está fraca, o papel está acinzentado e é possível perceber a impressão do verso:


Imagem digitalizada original

Abrindo a janela da ferramenta de ajuste de níveis de cor vemos o histograma linear na imagem, nos níveis de entrada. O histograma mostra a quantidade de pixels em cada nível de cor. O eixo horizontal vai do nível 0 (preto) ao nível 255 (branco) e a quantidade de pixels por nível está no eixo vertical. A área da curva representa todos os pixels da imagem.

No histograma desta imagem original vemos dois picos, o da esquerda é referente aos pixels próximos do preto e o da direita é referente aos pixels próximos do branco. Perceba que a quantidade de pixels próximos do branco é bem maior pois a área livre (sem impressão) do papel é predominante. Os pixels próximos do preto são os caracteres. Abaixo este histograma original:


Histograma da imagem original

Não mostrarei todas as funcionalidades desta ferramenta de níveis, apenas os ajustes dos níveis de entrada, que são suficientes para o propósito deste artigo. No combo do canal deixe em "Valor", significa todos os canais.

Os níveis de entrada são ajustados pelos três triângulos deslizantes, ou pelos conta-gotas (desnecessário neste artigo), ou pelas três caixas de valor numérico. São três pontos porque o da esquerda seleciona o ponto negro, o da direita seleciona o ponto branco e o do centro ajusta o gama, o ponto médio.

Reposicionando o ponto negro faz com que todos os pixels, que possuírem este valor ou menos, tornem-se pretos. Assim, vamos posicioná-lo para alcançar todos os pixels referentes aos caracteres. Abaixo o histograma ajustado no ponto negro e a imagem digitalizada após este ajuste:


Histograma com ajuste do ponto negro


Imagem resultante

Podemos ver que os caracteres estão quase que totalmente pretos.

Reposicionando o ponto branco faz com que todos os pixels, que possuírem este valor ou mais, tornem-se brancos. Assim, vamos posicioná-los para alcançar todos os pixels referentes ao papel. Abaixo o histograma ajustado no ponto branco e a imagem digitalizada após este ajuste:


Histograma com ajuste do ponto branco


Imagem resultante

Podemos ver que o papel está completamente branco.

O que foi feito até agora foi o ajuste isolado de cada ponto, para mostrar o seu respectivo efeito. O tratamento final da imagem digitalizada está no reposicionando dos dois pontos, o negro e o branco, fazendo o ajuste em conjunto. Abaixo o histograma ajustado no ponto negro e no ponto branco e a imagem após este ajuste. Temos agora a imagem final:


Histograma com ajustes de ambos os pontos


Imagem resultante final

O texto está bem mais nítido, com o contraste adequado e o papel (fundo) sem qualquer sujeira. Volte lá na imagem original e compare com esta. Agora perfeito, não? A ferramenta de ajustes dos níveis de cor é mais eficiente em eliminar as sujeiras no papel. As vezes, existem pontos que são escuros o suficiente para confundir com os caracteres e esta ferramenta possibilita distanciá-los do preto e aproximá-los do branco.

O reposicionamento do ponto médio pode ser feito se desejar alterar o gama. Indo para a esquerda, para o preto, a imagem fica mais clara, indo para a direita, para o branco, a imagem fica mais escura. Nestes exemplos estou mantendo no 1 para evidenciar o efeito dos outros níveis.

Apenas com este ajuste dos níveis de cor podemos obter uma imagem, de um texto digitalizado, muito mais agradável para leitura. Inclusive, facilita o reconhecimento ótico dos caracteres (OCR), caso o propósito da imagem seja para este procedimento, o software não sofrerá com as interferências. Boas digitalizações!

sábado, 2 de março de 2013

Pausa em shell script

A execução de um script no interpretador de comandos do Linux (este artigo adotando o Bash) pode ser pausada por meio de dois artifícios. Um é o comando interno "read" e o outro é o comando "sleep". O "read" pode ser utilizado para esperar o pressionamento de uma tecla e o "sleep" para que espere por determinado tempo.

A seguinte linha, em determinado ponto do script, faz uma pausa na execução, neste ponto, e deixa o script esperando o pressionamento da tecla Enter:

read -p "Pressione [Enter] para continuar ou CTRL+C para sair..."

Como CTRL+C interrompe a execução do script, pode-se aproveitar para informar esta possibilidade.

Se desejar uma pausa controlada por tempo, a seguinte linha em determinado ponto do script faz uma pausa na execução por, no caso, 5 segundos:

sleep 5

O padrão para o "sleep" é em segundos mas pode-se adicionar o sufixo m para minutos, h para horas ou d para dias.

Os dígitos verificadores do CPF/CNPJ

O CPF (Cadastro de Pessoa Física) e o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) são cadastros para identificar uma pessoa perante a Receita Federal do Brasil. O CPF possui um número com 9 dígitos, denominado raiz, e o CNPJ possui um número com 12 dígitos, raiz mais sufixo. Estes números, são complementados por dígitos verificadores (DV), totalizando 11 dígitos no CPF e 14 dígitos no CNPJ. Estes dígitos verificadores servem para conferir a integridade e autenticidade do número, evitando erros de digitação, números falsos etc. O número do CPF tem o formato xxx.xxx.xxx-vv e o número do CNPJ tem o formato xx.xxx.xxx/xxxx-vv, os dígitos verificadores são os dois últimos, nos dois cadastros.

Cada dígito verificador é calculado separadamente e o primeiro entra no cálculo do segundo. O algoritmo do cálculo é denominado Módulo 11, cada dígito verificador é gerado pelo resto da divisão por 11, e o que é dividido é o somatório dos dígitos do número e seus respectivos pesos.

Os dígitos dos números do CPF e CNPJ recebem pesos antes de serem somados. Para o CPF o peso é crescente em uma unidade de 2 em diante, até a quantidade de dígitos. Para o CNPJ o peso também é crescente em uma unidade de 2 em diante mas até 9, retornando a 2 e repetindo a sequência até a quantidade de dígitos. Esta quantidade de dígitos é ampliada no cálculo do segundo DV pois o primeiro DV entra como parte do número raiz do CPF e CNPJ.

CPF:
Pesos do 1º DV: 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10      (para os 9 dígitos do número)
Pesos do 2º DV: 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11  (para os 9 dígitos do número mais o 1º DV)

CNPJ:
Pesos do 1º DV: 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 2, 3, 4, 5     (para os 12 dígitos do número)
Pesos do 2º DV: 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 2, 3, 4, 5, 6  (para os 12 dígitos do número mais o 1º DV)

Os dígitos dos números recebem os pesos na ordem do menos significativo ao mais significativo, isto é, da direita para a esquerda. Então a sequência dos pesos fica invertida. Cada dígito é multiplicado ao seu respectivo peso. Os produtos são somados e então divididos por 11.

Cada dígito verificador é gerado a partir do resto desta divisão por 11. Se o resto for 0 ou 1 o dígito verificador será 0, se o resto for maior que 1 o dígito verificador será a subtração de 11 pelo resto. Esta regra é a mesma tanto no CPF como no CNPJ, o que mudam são somente os pesos.

Os exemplos a seguir mostram os cálculos dos dígitos verificadores de um número CPF e de um número CNPJ. Perceba que o primeiro peso da sequência vai para o dígito mais à direita. No cálculo do 1º DV este dígito mais à direita (menos significativo) é a unidade do número raiz no caso do CPF e a unidade do sufixo no caso do CNPJ. Já no cálculo do 2º DV o primeiro peso vai para o 1º DV, que entrou no número à direita:


CPF nº 147.258.369

(1x10)+(4x9)+(7x8)+(2x7)+(5x6)+(8x5)+(3x4)+(6x3)+(9x2)
   10 +  36 +  56 +  14 +  30 +  40 +  12 +  18 +  18  =  234

O resto da divisão de 234 por 11 é 3, portanto o 1º DV é 11-3, que é igual a 8. O CPF fica, por enquanto:

CPF nº 147.258.369-8

(1x11)+(4x10)+(7x9)+(2x8)+(5x7)+(8x6)+(3x5)+(6x4)+(9x3)+(8x2)
  11  +  40  +  63 +  16 +  35 +  48 +  15 +  24 +  27 +  16  =  295

O resto da divisão de 295 por 11 é 9, portanto o 2º DV é 11-9, que é igual a 2. O CPF completo é 147.258.369-82.


CNPJ nº 14.725.836/0001

(1x5)+(4x4)+(7x3)+(2x2)+(5x9)+(8x8)+(3x7)+(6x6)+(0x5)+(0x4)+(0x3)+(1x2)
  5  +  16 +  21 +  4  +  45 +  64 +  21 +  36 +  0  +  0  +  0  +  2  =  214

O resto da divisão de 214 por 11 é 5, portanto o 1º DV é 11-5, que é igual a 6. O CNPJ fica, por enquanto:

CNPJ nº 14.725.836/0001-6

(1x6)+(4x5)+(7x4)+(2x3)+(5x2)+(8x9)+(3x8)+(6x7)+(0x6)+(0x5)+(0x4)+(1x3)+(6x2)
  6  +  20 +  28 +  6  +  10 +  72 +  24 +  42 +  0  +  0  +  0  +  3  +  12 =  223

O resto da divisão de 223 por 11 é 3, portanto o 2º DV é 11-3, que é igual a 8. O CNPJ completo é 14.725.836/0001-68.


Estes cálculos são frequentemente utilizados em sistemas computacionais para testar a veracidade dos números. Impede erros de digitação e detecta números falsos caso alguém queira inventar um número mentalmente. Obviamente, é possível inventar fazendo todos os cálculos para os dígitos verificadores, no entanto, as pessoas normais precisam de pelo menos um lápis e um papel para isso.

Observações: Nos números de CNPJ emitidos antes de 1993 (nesta época ainda era chamado CGC), o 8º dígito (o menos significativo) é um DV módulo 10 dos sete dígitos anteriores. A partir de 1993 o CNPJ não foi mais gerado assim. Os números de CPF e CNPJ usados nos exemplos deste artigo foram inventados por mim, pela posição das teclas em meu teclado. Se estes números estão sendo utilizados por alguém, esta pessoa é sortuda, possui uma sequência de teclas.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Servidor de desktop remoto no Linux

O Remote Desktop Protocol (RDP) é um protocolo de rede desenvolvido pela Microsoft para acessar o ambiente de desktop de um outro computador. No sistema Windows é feito pelo Serviço de Área de Trabalho Remota (Remote Desktop Services, RDS). Um computador executando o cliente RDS acessa pela rede o desktop do computador com o servidor RDS, os controles do teclado e mouse são transmitidos ao computador cliente e a imagem do desktop é exibida em uma janela no computador cliente. Nos computadores pessoais modernos, o ambiente de desktop é a interface gráfica do sistema operacional.

No Linux, a implementação de código aberto do servidor para o RDP é o xrdp (www.xrdp.org). As principais distros fornecem o pacote de instalação em seus repositórios. Um comando como "yum install xrdp" ou "apt-get install xrdp" resolve a instalação. O xrdp é baseado no FreeRDP (www.freerdp.com), uma implementação gratuita do RDP.

O arquivo de configuração do xrdp é o "/etc/xrdp/xrdp.ini". Seu conteúdo geralmente não precisa ser alterado, mas se for preciso é bem simples, como apresentado abaixo:

[globals]
bitmap_cache=yes
bitmap_compression=yes
port=3389
crypt_level=high
channel_code=1

[xrdp1]
name=sesman-Xvnc
lib=libvnc.so
username=ask
password=ask
ip=127.0.0.1
port=-1


A alteração que pode ser necessária é quanto a preferência do gerenciador de janelas. Para isso, edite o arquivo "/etc/xrdp/startwm.sh" e altere a linha SESSIONS, colocando em ordem de preferência o seu gerenciador de janelas:

SESSIONS="startkde gnome-session blackbox fluxbox startxfce4 xterm"

Outra necessidade é a definição do mapa de teclado. Ela é feita pelo arquivo "/etc/xrdp/km-xxxx.ini. O LCID para o português brasileiro é o número hexadecimal 0416. Então, verifique se existe o arquivo "/etc/xrdp/km-0416.ini". Se não existir, é preciso gerá-lo com a ferramenta xrdp-genkeymap, na linha de comando:

# xrdp-genkeymap /etc/xrdp/km-0416.ini

Observações: O xrdp-genkeymap se baseia no mapa configurado no servidor do X. Não importa o número que é dado para o arquivo km-xxxx.ini, o conteúdo gerado é proveniente das configurações do X. O meu xrdp curiosamente carrega e usa o mapa do arquivo km-0409.ini (en-us), mesmo com o X configurado para ABNT2 pt-br e inclusive existindo o arquivo km-0416.ini, então eu gerei o mapa sobrescrevendo este arquivo da língua inglesa (0409). A documentação do xrdp é muito pouca para esclarecer este quesito de mapa de teclado.

Provavelmente tudo está pronto para funcionar. Existem outros arquivos para configuração, scripts etc. mas só edita-se caso queira uma personalização maior, desta forma, é só iniciar o serviço do servidor xrdp para tornar ativo:

# service xrdp start

A máquina com o servidor do RDP está pronta para receber conexões de clientes de RDP. No Linux existe o cliente "rdesktop", na linha de comando. O artigo "Serviço de Área de Trabalho Remota do Windows" (http://dan-scientia.blogspot.com.br/2010/04/servico-de-area-de-trabalho-remota-do.html) mostra o serviço no sistema Windows e a linha de comando do rdesktop para tal conexão. Este serviço de RDP é bastante útil para manutenção de sistema pela rede.