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sábado, 18 de maio de 2013

Conversão entre coordenadas geográficas e UTM

O sistema de coordenadas geográficas expressa a posição de um ponto na superfície esférica do globo. Um exemplo desta coordenada são os valores -23,653492 graus de latitude e -47,235703 graus de longitude. O sistema de coordenadas UTM expressa a posição de um ponto em uma projeção plana do globo terrestre. Um exemplo desta coordenada são os valores X 271960,000 (Easting), Y 7382350,200 (Northing), Fuso 23 (Zone), Hemisfério Sul e Elipsoide WGS84 (datum).

As coordenadas podem ser convertidas de um sistema para o outro. Existem uma série de fórmulas, longas e volumosas mas não difíceis de compreender, que convertem uma coordenada do sistema de coordenadas geográficas para o sistema de coordenadas UTM e vice-versa. As fórmulas são baseadas nas propriedades do elipsoide, na geometria do elipsoide de revolução, que serve como referência no posicionamento geodésico.

Com o intuito de tornar este artigo o mais simples possível na execução da conversão, a teoria sobre a geometria do elipsoide de revolução não está demonstrada, muito menos a origem das fórmulas. Ainda, este artigo não trata da coordenada de altitude.

Uma informação importante nos valores de uma coordenada no sistema UTM é sobre o elipsoide de referência. O elipsoide de referência serve para representar matematicamente a superfície terrestre, na forma de um elipsoide de revolução, e assim executar os cálculos e definir as coordenadas. Um dos elipsoides de referência, ou datum, mais usados é o WGS84 e é o que está sendo usado neste artigo. Conhecer o datum é importante porque, nos cálculos, as fórmulas adotam alguns valores (parâmetros) constantes e estes valores estão definidos no datum.

Assim, por exemplo, pela coordenada UTM apresentada no primeiro parágrafo deste artigo, vemos que o datum é o WGS84. Desta forma, nos cálculos desta coordenada são necessários os parâmetros do elipsoide WGS84. O relatório técnico número 8350.2 (3ª edição) da Agência Nacional de Informação Geoespacial, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, define os valores (parâmetros) constantes do elipsoide WGS84, que são:

- Raio Equatorial (semi-eixo maior do elipsoide) em metros:



- Achatamento polar:




Destes parâmetros, derivam-se as seguintes constantes geométricas, que também são utilizadas nos cálculos:

- Raio Polar (semi-eixo menor do elipsoide) em metros:



- Primeira Excentricidade:



- Primeira Excentricidade ao Quadrado:



- Segunda Excentricidade:



- Segunda Excentricidade ao Quadrado:




Outro detalhe é que os graus de latitude e longitude, nestes cálculos, são usados em notação decimal. Se estiverem em notação sexagesimal, o artigo "Conversão de grau decimal e sexagesimal" (http://dan-scientia.blogspot.com.br/2012/12/conversao-de-grau-decimal-e-sexagesimal.html) pode ser útil.

Ainda em relação a latitude e longitude, além dos valores em graus decimais também são necessários os valores em radianos. A conversão de graus decimais para radianos é feita com o uso das fórmulas a seguir. Neste artigo, a latitude e a longitude em graus decimais estão representadas respectivamente por "lat" e "long", e em radianos estão representadas respectivamente pelas letras gregas phi "φ" e lambda "λ".






Mais alguns valores são utilizados nas fórmulas dos cálculos:

A latitude de origem, que no UTM padrão é zero.




O fator de escala no meridiano central do fuso, para garantir um modelo mais favorável de deformação em escala ao longo do fuso.




Os valores de falso norte, que será adotado um ou outro dependendo da posição, se está no hemisfério norte ou sul, e o valor para o falso leste, sendo o valor do meridiano central do fuso. Estes valores são adotados para evitar números negativos. Os graus em notação decimal são indicados com o sinal - (negativo) quando na latitude sul (hemisfério sul) ou na longitude oeste.






Conversão de coordenada geográfica para coordenada UTM

Nesta conversão, iremos obter os valores de Easting (x), Northing (y) e o fuso, a partir da coordenada geográfica, utilizando o datum WGS84.

O fuso UTM (zone) é dado pela fórmula:




E o meridiano central do fuso, que não é um item da coordenada mas será usado nos cálculos de ambas as conversões, é dado pela fórmula:




Na obtenção dos valores de Easting e Northing começam os cálculos pesados. As fórmulas para o cálculo das coordenadas Easting e Northing são compostas de diversos termos. Para que as fórmulas não fiquem extremamente extensas, podemos resolver estes termos realizando cálculos intermediários.

O cálculo de M, comprimento do arco de meridiano, que é a distância vertical ao longo da superfície terrestre partindo do Equador até o ponto, é feito com as fórmulas (séries) a seguir. A latitude está em radianos.




Outros cálculos intermediários devem ser feitos, também relacionados as propriedades do elipsoide, como o raio da curvatura na primeira vertical ou grande normal (N).




Por fim, as fórmulas para obtenção dos valores em metros de Easting (x) e Northing (y). Os valores obtidos nos cálculos intermediários devem ser substituídos nas fórmulas a seguir.






Na anotação desta coordenada deve-se, além dos valores de x, y e fuso, incluir o hemisfério e o datum.


Conversão de coordenada UTM para coordenada geográfica

Nesta conversão, iremos obter os valores de latitude e longitude, a partir da coordenada UTM (x, y e fuso), utilizando o datum WGS84. Alguns valores utilizados serão os mesmos da conversão inversa, incluindo as constantes geométricas, a latitude de origem e o fator de escala no meridiano central do fuso.

As fórmulas para o cálculo das coordenadas geográficas também são compostas de diversos termos. Assim, da mesma forma, para que as fórmulas não fiquem extremamente extensas, podemos resolver estes termos realizando cálculos intermediários.

O cálculo de M, comprimento do arco de meridiano, que é a distância vertical ao longo da superfície terrestre partindo do Equador até o ponto, é feito com a fórmula a seguir.




O cálculo da "footprint latitude", que é a latitude do ponto no meridiano central do fuso que possui a mesma latitude, ou comprimento do arco de meridiano, que o ponto que está sendo convertido.




E mais estes termos intermediários, calculados para "footprint latitude".




Finalmente, as fórmulas para obtenção dos valores da latitude (φ) e longitude (λ). Os valores obtidos nos cálculos intermediários devem ser substituídos nas fórmulas a seguir.






A notação decimal destas coordenadas são obtidas com as fórmulas a seguir.






A conversão entre coordenadas geográficas e UTM não é tão complicada mas requer muitos cálculos. Um software matemático ou uma planilha eletrônica ajuda na velocidade de todos os cálculos, além do mais, já existem muitos sites e aplicativos que fazem estas conversões. O propósito deste artigo é somente mostrar as fórmulas, de forma simplificada pois algumas são séries.

Para mais informações sobre o UTM, leia o artigo "O Sistema de Coordenadas UTM" (http://dan-scientia.blogspot.com.br/2013/04/o-sistema-de-coordenadas-utm.html).

Bibliografia recomendada:

National Imagery and Mapping Agency Technical Report 8350.2, Department of Defense World Geodetic System 1984, Its Definition and Relationships with Local Geodetic Systems, Third Edition, January 2000.

SNYDER, J.P., Map Projections A Working Manual, U.S. Geological Survey Professional Paper 1395, Supersedes USGS Bulletin 1532, United States Government Printing Office, Washington, 1987.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Conversão de grau decimal e sexagesimal

A posição de um ponto na superfície terrestre pode ser expressa pelas coordenadas geográficas. A latitude, que vai de zero à 90 graus, e a longitude, que vai de zero à 180 graus, possui basicamente duas notações, o grau em notação decimal ou o grau em notação sexagesimal.

A notação decimal é a forma numérica na qual estamos mais acostumados, o grau pode ser expresso por um número não inteiro. Um exemplo, no caso uma latitude, é -23,62463499 graus, um simples número decimal. O sinal negativo indica a latitude Sul, se fosse longitude indicaria o Oeste.

A notação sexagesimal é dada, em uma forma bem precisa, em grau, minuto e segundo. Com os minutos e segundos indo de zero à 60. Esta última unidade de medida, em segundo, pode receber um número não inteiro, e da mesma forma o minuto, caso se omita a unidade de segundo. A latitude e longitude para a notação sexagesimal é comumente indicada pelas letras de Norte-Sul-Leste-Oeste, ao invés do sinal negativo ou positivo. Um exemplo de latitude é 23° 37' 28,686" S.

É possível converter os números dentre as notações de grau decimal e sexagesimal. A notação decimal é facilmente obtida a partir da notação sexagesimal com o uso da seguinte fórmula:

grau + minuto/60 + segundo/3600

Exemplo:

Notação sexagesimal dada: 23° 37' 28,686" S

23 + 37/60 + 28,686/3600 = -23,624635°

(Para a latitude Sul e a longitude Oeste o resultado deve receber o sinal negativo.)


Inversamente, o grau em notação sexagesimal é obtido a partir da notação decimal com os seguintes cálculos:

1) O grau é obtido com o valor absoluto da notação decimal, somente a parte inteira.

2) O minuto é obtido com o valor absoluto da parte fracionária da notação decimal multiplicado por 60, pegando somente a parte inteira deste resultado.

3) O segundo é obtido com o valor absoluto da parte fracionária da notação decimal multiplicado por 60, e multiplicando a parte fracionária deste resultado por 60.

Exemplo:

Notação decimal dada: -23,62463499°

1) 23°

2) 0,62463499 x 60 = 37,4780994  portanto 37'

3) a) 0,62463499 x 60 = 37,4780994
   b) 0,4780994 x 60 = 28,685964"

Portanto 23° 37' 28,686" S

(Se o valor da notação decimal é negativo então a latitude será Sul ou a longitude será Oeste.)

Sugestão de leitura. Saiba como calcular a distância entre coordenadas geográficas lendo o artigo em: http://dan-scientia.blogspot.com.br/2009/05/distancia-entre-coordenadas-geograficas.html

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Posicionamento global pela observação dos astros

Com o auxílio da astronomia é possível determinar com uma relativa precisão a nossa posição no globo terrestre. Com apenas algumas medidas dos astros e com a consulta de um Almanaque Náutico, ou de um software que nos mostre a posição dos astros, e de um relógio com a hora precisa, podemos calcular a latitude e a longitude da nossa posição.

Para ajudar a compreender a navegação astronômica, imagine que a Terra seja o centro do universo e que todos os astros giram em torno dela. Imagine também que em torno da Terra está uma outra esfera maior, alinhada no mesmo ponto central da Terra e que nesta esfera estão fixados os astros. Esta esfera maior é chamada de esfera celeste.

O sistema de posicionamento global usa um conjunto de coordenadas que consiste de dois ângulos. A latitude é a distância em graus medida a partir do Equador terrestre na direção Norte-Sul, variando de 0 à 90 graus, e a longitude é o ângulo no polo entre os meridianos de Greenwich e o ponto considerado, variando de 0 à 180 graus.

Semelhante ao sistema de coordenadas terrestres, a posição de um astro na esfera celeste pode ser descrita por dois ângulos, formando o sistema de coordenadas celestes. Como os equadores terrestre e celeste estão no mesmo plano, a medida equivalente à latitude do astro na esfera celeste chama-se declinação e a medida correspondente à longitude do astro na esfera celeste é denominada ascensão reta (AR). A longitude da PG é também chamada de Ângulo Horário em Greenwich (AHG).

Para determinar a nossa posição na Terra precisamos saber a posição de pelo menos três astros e suas respectivas distâncias até a nossa posição. Antes vamos conhecer alguns conceitos usados na navegação astronômica.

Uma reta saindo do centro da Terra e que passa pela nossa posição, chega na esfera celeste marcando um ponto chamado zênite. Então zênite é o ponto na esfera celeste exatamente acima do observador.

Uma reta ligando o centro de um astro ao centro da Terra, passa por um ponto na superfície da Terra chamado de posição geográfica do astro (PG). Já que o astro gira junto com a esfera celeste, a sua PG se move na superfície da Terra. A PG do Sol, por exemplo, se move a uma velocidade de aproximadamente 900 nós, aproximadamente 1 milha náutica a cada 4 segundos.

Podemos determinar, com a ajuda do Almanaque Náutico, a PG de um astro em qualquer instante. Para isso é de fundamental importância que saibamos a hora exata nas medições.

A distância entre a PG do astro e a nossa posição é chamada de distância zenital. Esta distância pode ser expressa em tanto em milhas como em graus, já que representa um arco sobre a superfície esférica da Terra. Pela extrema distância dos astros até a Terra, fazendo com que os raios luminosos cheguem praticamente paralelos em qualquer ponto na Terra, a distância zenital, medida em graus, é igual ao ângulo entre a reta partindo de nós até o astro e a nossa vertical.

Porém é difícil medir este ângulo entre o astro e o zênite pois é complicado de se determinar com precisão a direção vertical. É mais prático medir o ângulo formado entre a horizontal e o astro. Esta medida é denominada altura (H) do astro e é feita com o uso de um sextante. Assim, a distância zenital é igual a 90 graus menos a altura do astro.

Com esta primeira medida sabemos somente que nossa posição real está sobre o círculo cujo o centro é a PG do astro e o raio é a distância zenital. Para determinar a distância zenital em milhas, multiplicamos por 60, pois cada grau equivale a 60 milhas.

O ângulo horizontal entre a reta da distância zenital e o norte verdadeiro, em um sentido horário, é chamado de azimute (Az) do astro, é a direção em que se encontra a PG do astro. Se fosse possível determinar com a bússola a direção exata da PG do astro, poderíamos dizer em que ponto do círculo estamos. Mas a margem de erro desta medida impossibilita a precisão necessária para determinar a nossa posição.

Repetindo o procedimento para mais dois astros obtemos no total três círculos que cruzam-se em um mesmo ponto, provavelmente a nossa posição real. Mas pela imprecisão inevitável das medidas com o sextante, possivelmente os três círculos não se cruzem no mesmo ponto, formando um triângulo, então a nossa posição estará em algum ponto deste triângulo. Na prática adota-se que a nossa posição está no centro deste triângulo.

De uma forma simples e eficiente, realizando medidas das distâncias zenitais de três astros e sabendo a posição geográfica de cada um deles, é possível descobrir a nossa posição na superfície terrestre.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Distância entre coordenadas geográficas

As coordenadas geográficas expressam de forma exata em graus a posição de qualquer ponto na superfície do globo terrestre. O globo é dividido em latitudes que vão de 0 a 90 graus a partir da linha do Equador, separando Norte e Sul, e longitudes que vão de 0 a 180 graus a partir do meridiano de Greenwich, separando Leste e Oeste.

A medida de grau possui duas notações, grau em notação sexagesimal (grau, minuto e segundo) e grau em notação decimal. A latitude e longitude para a notação sexagesimal é indicada pelas letras de Norte-Sul-Leste-Oeste, em notação decimal é indicada com o sinal - (negativo) a latitude sul ou a longitude oeste. Exemplo: 48°45'51,01"Oeste = -48,7641694444444.

A circunferência média do globo terrestre mede aproximadamente 40.030,20 quilômetros, dividindo por 360 conclui-se que o grau equivale a 111,19 km. Dividindo um grau por 60 temos um minuto que equivale a 1.853,25 metros e é a medida de uma milha náutica (atualmente por convenção adotou-se 1.852,00 metros). Dividindo um minuto por 60 temos um segundo que equivale a 30,88 metros. O raio médio do globo terrestre é 6371.004 km.

Antes de vermos como se calcula a distância vamos ver como se faz a conversão entre as notações de grau. A notação decimal é obtida a partir da notação sexagesimal com o uso da fórmula:

grau + minuto/60 + segundo/3600

Lembrando que para a latitude sul e a longitude oeste o resultado receberá o sinal negativo.

No sentido inverso, a notação sexagesimal é obtida a partir da notação decimal com o uso das fórmulas:

Grau = valor absoluto da notação decimal, somente a parte inteira.
Minuto = valor absoluto da parte fracionária da notação decimal multiplicado por 60, somente a parte inteira.
Segundo = valor absoluto da parte fracionária da notação decimal multiplicado por 60, e multiplicando a parte fracionária deste resultado por 60.

Se o valor da notação decimal é negativo então a latitude será sul ou a longitude será oeste.

Para o cálculo da distância é utilizado os valores em notação decimal, por isso é necessária a conversão caso as coordenadas estejam em notação sexagesimal. Sua fórmula, já com a unidade do resultado em metros, é dada abaixo:

D = ( ( ArcoCosseno( Cosseno( ( 90 - LatitudeUm ) * Pi / 180 ) * Cosseno( ( 90 - LatitudeDois ) * Pi / 180 ) + Seno( ( 90 - LatitudeUm ) * Pi / 180 ) * Seno( ( 90 - LatitudeDois ) * Pi / 180 ) * Cosseno( ABS( ( ( 360 + LongitudeUm ) * Pi / 180 ) - ( ( 360 + LongitudeDois ) * Pi / 180 ) ) ) ) ) * 6371,004 ) * 1000

LatitudeUm e LongitudeUm referem-se as coordenadas da primeira localidade e LatitudeDois e LongitudeDois referem-se as coordenadas da segunda localidade. ABS é o valor absoluto da expressão e Pi é obviamente o valor do número Pi (3,14159265). Toda a expressão é multiplicada pelo raio médio da Terra e o resultado multiplicado por 1000 para a unidade ser em metros.

A fórmula deste cálculo é baseada na lei dos cossenos da trigonometria esférica e a distância segue a linha geodésica, que é a curva de menor comprimento unindo dois pontos. Como o sistema de coordenadas terrestre é dividido em hemisférios, com os ângulos entre 0-90 e 0-180, faz-se necessário o ajuste na fórmula para estes ângulos limítrofes. E como as diferenças na altitude da superfície terrestre serem insignificantes em relação ao raio da Terra, é possível ignorar esta variação sem comprometer o resultado do cálculo. Observando que como está sendo utilizado o raio médio então os resultados para pontos próximos a linha do Equador serão subestimados e para pontos próximos aos pólos serão superestimados.