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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Extração de dados com o foremost e scalpel

Na computação forense, o procedimento de extração de dados, é uma etapa importante para o sucesso da perícia computacional. Um dado pode não estar mais alocado no sistema de arquivos, o que facilitaria a recuperação, mas pode estar ainda existente na superfície do disco.

A ferramenta foremost é um recuperador de arquivos usando uma base de dados com definições de cabeçalho, rodapé e estrutura dos dados de tipos de arquivos conhecidos. O foremost é independente de sistema de arquivos e pode recuperar dados de partições FAT, NTFS, ext2/3 ou RAW, tanto no acesso direto ao dispositivo como em imagem RAW.

A sinopse da linha de comando é:

foremost [opção]... [-o diretório] [-t tipo] [-i entrada]

Como principais opções, existem:

-d       Ativa a detecção indireta de blocos, recomendado para
         sistemas de arquivos Unix.
-i       Dispositivo ou imagem de entrada.
-o dir   Diretório onde serão gravados os arquivos recuperados.
-v       Ativa o modo verboso.

A opção -t especifica os tipos de arquivos que serão recuperados:

jpg    Suporte para os formatos JFIF, Exif e implementações de
       câmeras digitais modernas.
bmp    Suporte para o formato BMP do Windows.
exe    Suporte para arquivos executáveis do Windows, inclui DLLs.
mpg    Suporte para a maioria dos arquivos MPEG.
riff   Recupera arquivos AVI e RIFF pois possuem mesmo formato.
wmv    Recupera arquivos WMV e WMA pois possuem formatos similares.
ole    Esta opção recupera qualquer arquivo que use a estrutura OLE.
       Inclui PowerPoint, Word, Excel, Access, e StarWriter.
zip    Recupera ZIP e JAR pois possuem formatos similares.
       Inclui arquivos produzidos pelo OpenOffice pois são arquivos
       XML zipados. Arquivos do Office 2007 também são XML.
all    Utiliza todos os tipos de arquivos pré-definidos.
       Padrão se a opção -t não for usada.

E também: gif, png, avi, mp4, wav, mov, pdf, rar e htm

Caso um formato de arquivo não seja suportado internamente pelo foremost, seu tipo pode ser definido no arquivo de configuração '/etc/foremost.conf'. Este arquivo contém instruções para definição dos novos formatos.

Os arquivos recuperados serão gravados em subdiretórios de acordo com o seu tipo. Se não for usada a opção -o, será criado um diretório padrão.

Exemplos de uso do foremost:

# foremost -t jpg -i image.dd -o ~/recuperados

# foremost -t all -i /dev/sda3 -o ~/recuperados

# foremost -t gif,pdf -i image.dd

# foremost -vd -t ole,jpeg -i image.dd

# foremost image.dd


De forma semelhante, a ferramenta Scalpel é um recuperador de arquivos usando uma base de dados com definições de cabeçalho e rodapé de tipos de arquivos conhecidos. O Scalpel é independente de sistema de arquivos e pode recuperar dados de partições FAT, NTFS, ext2/3 ou RAW, tanto em dispositivos como em imagens RAW. O Scalpel é resultado de uma completa reedição da ferramenta foremost v0.69.

Antes de utilizar o Scalpel é necessário configurá-lo pelo arquivo '/etc/scalpel.conf', descomentando as linhas que definem os tipos de arquivos que serão recuperados. Também há instruções neste arquivo. Para recuperar os arquivos de uma partição, use um comando semelhante a:

# scalpel /dev/sda3 -o ~/recuperados


Nestas ferramentas, o processo pode ser demorado, dependendo do tamanho do HD e de quantos arquivos existem para serem recuperados. Os arquivos recuperados serão copiados para o diretório especificado pela opção -o, em subdiretórios de acordo com o tipo do arquivo.

O foremost e o Scalpel não estão interessados no sistema de arquivos contido na partição ou imagem. Estas ferramentas simplesmente esperam que os blocos de dados dos arquivos residam sequencialmente no disco ou imagem que está sob investigação.

Este processo é conhecido como extração de dados (data carving). "Carving" é um termo genérico para extração de arquivos em imagens RAW, baseado em características específicas do formato, presentes nos arquivos (dados estruturados). Alguns estudos indicam o foremost como mais confiável.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Recuperando e organizando os arquivos pelos tipos

Com o propósito de recuperar todos os arquivos, alocados e não alocados, de um computador, a coleção The Sleuth Kit (TSK) traz em seu repertório forense a ferramenta denominada sorter.

O sorter é um script em Perl que analisa um sistema de arquivos para organizar os arquivos alocados e não alocados pelos seus tipos. Este script classifica os arquivos de uma imagem ou dispositivo de armazenamento em categorias, executando o comando "file" em cada arquivo e organizando os arquivos de acordo com regras pré-estabelecidas.

A ferramenta sorter trabalha utilizando outras ferramentas do TSK. Basicamente, o script executa a ferramenta "fls" para identificar os arquivos, cada arquivo identificado é visualizado com a ferramenta "icat", e a seguir, o comando "file" é executado para identificar o tipo do arquivo, baseado nas informações do cabeçalho. O sorter utiliza as regras definidas em seu arquivo de configuração, para classificar os arquivos, e também compara a extensão de cada arquivo, se houver, com a regra para seu tipo identificado.

Após toda esta varredura os arquivos são copiados, se a linha de comando conter o argumento -s, para um diretório no computador forense, fornecido com o argumento -d. Dentro deste diretório são criados subdiretórios nomeados de acordo com as categorias. Cada arquivo é renomeado usando o nome do sistema de arquivos, seguido do endereço e da extensão original.

Pode-se também gerar um índice em HTML, com o argumento -h, e os arquivos não identificados podem ser ignorados utilizando o argumento -U.

O sorter trabalha com imagens ou acessando diretamente o dispositivo de armazenamento. Existem outros argumentos para sua linha de comando, conforme sua página manual, mas uma linha de comando básica é exemplificada a seguir:

$ sorter -i raw -f fat32 -o 63 -d ~/data-sorter -s -h imagem.dd

Ou, acessando diretamente o dispositivo (geralmente necessita estar como superusuário):

# sorter -i raw -f fat32 -o 63 -d ~/data-sorter -s -h /dev/sdb

O argumento -i especifica o tipo onde o sistema de arquivos está localizado. O argumento -f especifica o tipo do sistema de arquivos. O argumento -o especifica o setor onde inicia o sistema de arquivos. O argumento -d, como já descrito, especifica para onde irão os arquivos e o argumento -s salva os arquivos no diretório.

Para os arquivos não alocados, o sorter recupera o que ainda estiver disponível, o que ainda não foi sobreposto. Se o arquivo foi sobreposto parcialmente, o sorter consegue recuperar parte do arquivo, resultando em um arquivo incompleto.

O resultado da ferramenta sorter pode ocupar bastante espaço em disco, às vezes mais do que o tamanho da unidade de armazenamento. Já vi um disco rígido de 40 GB retornar 60 GB de dados. Portanto, certifique-se de possuir espaço suficiente.

Esta ferramenta é muito utilizada na computação forense nos casos que necessitam uma recuperação de todos os arquivos, incluindo imagens, vídeos e documentos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Recuperando um arquivo apagado de partições NTFS

Pelo Linux é possível recuperar um arquivo apagado de uma partição NTFS. A ferramenta ntfsundelete, do pacote ntfsprogs, é que faz esta proeza.

No entanto não faz milagre. Quando um arquivo é apagado, seu registro MFT (Tabela Mestra de Arquivos) fica marcado como sem uso e o espaço livre do disco é atualizado. Se o computador não for desligado imediatamente, o espaço livre onde estava este arquivo poderá ser sobrescrito e, pior, o registro MFT poderá ser reutilizado por outro arquivo, ficando impossível saber onde estava o arquivo.

O ntfsundelete possui três modos de operação, o modo de varredura, de recuperação e de cópia. O modo de varredura é o padrão, onde apenas lê o volume NTFS e procura por arquivos apagados. O segundo modo recupera os dados de um arquivo especificado pelo seu inode ou por uma expressão regular e o salva em um outro lugar. E o modo de cópia é para salvar uma porção da MFT em um arquivo, sem muita utilidade prática.

A partição não deve estar montada quando for utilizar o ntfsundelete. Esta ferramenta somente lê o volume NTFS, nunca o modifica. Sendo assim, o arquivo recuperado deverá ser salvo em um outro volume montado no sistema.

Por exemplo, o comando abaixo lista todos os arquivos apagados, ordenados pelo número do inode:

# ntfsundelete /dev/sda1

Este outro exemplo lista somente os arquivos com extensão doc:

# ntfsundelete /dev/sda1 -s -m '*.doc'

E o comando abaixo recupera um arquivo apagado no inode especificado em NNNN:

# ntfsundelete -u -iNNNN /dev/sda1

Se for trabalhar em um arquivo imagem de uma partição ou disco, associado à um dispositivo de loop, especifique o dispositivo de loop em sua linha de comando:

# ntfsundelete /dev/loop0

O acesso direto aos dispositivos de armazenamento normalmente está restrito ao administrador do sistema, então um usuário comum não conseguirá utilizar o ntfsundelete. Consulte a página manual do ntfsundelete para mais informações.